Aeterna Ignavia
Because you were too lazy to go for a walk, you let your wife go alone, and she ended up losing her life... Now you need to break out of this limbo to get another chance.
Controls -
WASD - Move
E - Interact
Free assets Used (Sorry if i forget someone):
https://pizzadoggy.itch.io/retro-tree-pack
https://elbolilloduro.itch.io/paquete-de-modelos-psx-3
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Comments
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Impressionante... Kojima, o que foi que você fez????
Devo confessar que minha primeira impressão diante de vossa obra não pode, sob hipótese alguma, ser reduzida a um mero aglomerado de letras ou a palavras desprovidas de significado. A experiência proporcionada por essa sublime manifestação da oitava arte transcendeu os limites da percepção ordinária, conduzindo-me a um estado de contemplação estética que há muito julgava inalcançável pelo homem moderno.
Comecemos pelo impacto visual. As texturas, as modelagens e a composição gráfica do jogo transportaram-me instantaneamente ao período neoclássico francês, sem, contudo, abdicar de uma elegante influência do Renascimento italiano. Cada elemento visual parece ter sido meticulosamente concebido por uma entidade que, insatisfeita com os limites da criação humana, decidiu desafiar os próprios fundamentos da representação artística. Confesso que, diante de tamanha exuberância visual, senti-me intelectualmente despreparado para assimilar a magnitude daquilo que se apresentava perante meus olhos.
Não obstante, mal havia me recuperado desse primeiro choque estético quando fui acometido pela magnífica trilha sonora que permeia a obra, estabelecendo uma atmosfera de suspense cuja precisão composicional beira o sobrenatural. Tal brilhantismo musical faria até mesmo Chopin reconsiderar os limites de sua genialidade. A maneira pela qual os arranjos sonoros dialogam com o ambiente, amplificando a tensão e conduzindo as emoções do jogador, revela um domínio da linguagem audiovisual que dificilmente poderia ser reproduzido sem o auxílio de alguma intervenção divina. Trata-se, sem exagero, de um verdadeiro tratado sobre a simbiose entre imagem e som.
Após ser bombardeado por essa verdadeira coletânea de experiências artísticas, chegou o momento de, finalmente, abandonar a posição de mero espectador e assumir a pele da personagem. Foi então que me deparei com controles e mecânicas de tamanha precisão e correspondência com as ações propostas que, por alguns instantes, perdi a distinção entre o sujeito que joga e o avatar que se manifesta na tela. Não estava mais diante de um jogo: eu era o jogo. Minha consciência havia transcendido a interface, dissolvendo as fronteiras entre realidade e representação. Descartes, caso tivesse acesso a essa experiência, talvez reformulasse seu célebre princípio filosófico: ludo, ergo sum — jogo, logo existo.
Por fim, chegamos ao elemento que, a meu ver, consagra definitivamente esta obra-prima: o roteiro. Partindo de uma premissa aparentemente singela, o desenvolvedor constrói uma narrativa de admirável densidade simbólica. Uma banal casualidade na vida de um casal converte-se em um amálgama de suspense, traumas e melancolia, cujas manifestações mais perturbadoras encontram expressão nas figuras monstruosas que perseguem o protagonista. Tais criaturas não parecem constituir meros obstáculos à progressão narrativa, mas verdadeiras materializações dos conflitos internos que assombram a existência humana.
Nesse sentido, é impossível não evocar Friedrich Nietzsche e sua célebre reflexão acerca do abismo que, ao ser contemplado por tempo suficiente, passa também a contemplar aquele que ousa fitá-lo. Afinal, o que são os monstros que nos perseguem senão a exteriorização daquilo que, por vezes, tentamos desesperadamente ocultar de nós mesmos? O jogo, portanto, não se limita a provocar medo: ele nos confronta com a perturbadora possibilidade de que o verdadeiro horror jamais tenha residido nas criaturas que nos perseguem, mas naquilo que carregamos dentro de nós.
E pensar que toda essa vastíssima experiência sensorial, estética e existencial se encontra condensada em aproximadamente dois minutos e quarenta segundos de jogabilidade. Dois minutos e quarenta segundos! Há obras cinematográficas que, mesmo dispondo de horas de duração e orçamentos obscenos, fracassam miseravelmente em transmitir aquilo que vossa criação comunica em uma fração tão diminuta da existência humana.
Encerro, portanto, esta breve análise com a convicção de que testemunhei não apenas um jogo, mas o prenúncio de uma nova etapa na história da expressão artística digital. Resta-me aguardar, com a ansiedade de um crítico diante de um novo movimento estético, os próximos passos deste desenvolvedor, cuja genialidade parece não reconhecer limites terrenos.
Atenciosamente,
Capuzzo, Vinícius